terça-feira, 27 de setembro de 2011

Atirar sem olhar

"Abraçarei cada poema

Por mais que breve ou longo.

Carregarei o sempre comigo

Despido de qualquer farsa

Que tenham tentado forjar.

Verás em cada poema,

Uma alma despida

Escrevendo só para ti,

A quem nunca um sorriso escondi.


Irás ler sem saber que é para ti que estou a escrever,

Pois a primeira vez que te vi não te amei,

Mas dês que de verdade te conheço, de ti nunca me desliguei.

Podia ter fugido e ignorado,

Podia ter fingido que nada se tinha passado,

Mas seria cobarde em fugir de quem merece ser respeitado,

Talvez mais tarde tanta bravura me custe caro

E me arrependa de sobre este amor não ter solto um disparo,

Mas prefiro agora a dor de uma tristeza,

Que viver uma vida calada de incerteza."

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sabes porque existes?


Eu nunca tentei destruir a vida dos outros,

Os outros, é que não aceitavam a realidade deles que eu dava a conhecer.

Não era eu o hipócrita das amizades

Nem o vendedor de simpatia,

Tu é que te davas a agradar aos outros

Mostrando a todos o que cada um queria ver

Eras privada de personalidade própria

Mas dotada de interrogação.

De tal forma dotada que agora só ela é a tua companhia,

Passas os dias a sorrir sem saberes quem está a sorrir,

A chorar sem saber quem está a chorar,

Passas os dias, a passar os dias.

Não tens propósito de existência!

Não tens um eu que se aponte!

Não tens nada.

Fizeste de ti um nada

E assim destruíste o que eras para mim, tudo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Quarto da Vida


"Já olhei todas as paredes do meu quarto,
Vi em cada uma delas espelhadas as minhas memórias.
Da tristeza à felicidade,
Da duvida à certeza,
Todas elas lá apareciam.


Um dia apaguei a luz do meu quarto e olhei-as novamente,
Todas elas eram iguais,
Todos me mostravam a profunda escuridão do nada ali presente,
Não havia tristeza mas, também não havia felicidade,
Haviam dúvidas e não existia uma única certeza.
Toda aquela escuridão representava o meu futuro,
Sem certezas do que será e como será,
Sem certeza das armas que usarei.


Fiquei horas naquele escuro sem fim,
Perdido e repleto de medo.
Mas, no final de tanto tempo um rasgo de claridade!
Aproximei-me lentamente, abri a janela e já amanhecia,
Olhei em volta e todo o meu quarto voltava a dar respostas."


Não importa se hoje sabes o que serás amanha,
Nem se serás tão ou mais correcto que agora,
Importa que preserves hoje o que poderás não ver outrora,
Para que por mais tempo que estejas perdido,
Todos te procurem como se tivesses hoje desaparecido.
Poderá ser quem sempre apoias a te levantar,
Ou até mesmo o mundo que te queira por ele a caminhar,
Mas nunca feches os olhos por não conseguir olhar,
Pois mais tarde ou mais cedo a vida vai-te encandear.

sábado, 3 de setembro de 2011

O Retrato

Nunca estivera tão perto de quem amo,
Cada olhar meu, gravava um novo traço de seu rosto,
O pincel respirava alegria ao descobrir tal beleza,
Tela alguma se tinha sentido tão honrada antes.


Encontrara-me de tal maneira confiante,
Que sentia-me capaz de me perder no seu rosto,
Nada me era estranho, nem o olhar cintilante
Pela lágrima de dor de um brinco nela posto.


A lágrima pela sua face lentamente descera,
Até em seus lábios secos parar,
A lágrima em seus lábios desaparecera,
Tão brilhantes agora, tanta vontade de os beijar.


O esbelto brinco que lhe tivera posto,
Feito de uma pedra rara e extremamente brilhante,
Tivera sido por mim composto,
Para o único rosto onde brilha pouco um diamante.


O último traço tivera sido feito com a alegria do primeiro,
Pois tudo deve acabar como começara,
Não faz sentido terminar com a vida num desfiladeiro,
Se da alegria antes nunca dispensara.


Por entre tanta alegria de uma pintura acabada,
Um passo a trás de outro era dado,
Para limpar uma lágrima magoada,
Pelas horas de ternura terem findado.


Acariciei seu rosto com meu dedo, limpei a lágrima,
Lentamente chegara meus lábios perto dos seus,
Mas não os tocara, não quisera fazer de quem amo uma vítima,
Por viver para uma ilusão, de voltar um dia a tocar lábios meus.


Afastara-me e beijara sua testa,
Pegara o quadro acabado,
Consciente que não pudera viver na ilusão de voltar a ver esta,
Derramei uma lágrima, e ficara um quadro com um olhar manchado.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Imaginar por Medo

Tento escrever mas as palavras não saem,
É como se tivessem vergonha de mim.
Sinto uma enorme dor mas não consigo escrever,
O que em tempos era motivo para viver.


O aperto é tão forte,
O sofrimento é tão grande
Mas, igualmente tão medroso,
Que só nos momentos de solidão aparece.
Invade-me de incerteza e interrogação,
Não mostra menor pingo de preocupação,
E ainda inunda o meu olhar,
Por ter que esquecer o que é amar.
Só queria ter o meu mundo para abraçar,
O mundo que todos as noites me vejo a idolatrar,
Por ter medo de durante o dia o encarar.


Um mundo de olhar fresco e resplandecente,
De sorriso natural como a nascente,
De espírito em nada irreverente,
Um mundo só meu que está gravado na minha mente.