Nunca estivera tão perto de quem amo,
Cada olhar meu, gravava um novo traço de seu rosto,
O pincel respirava alegria ao descobrir tal beleza,
Tela alguma se tinha sentido tão honrada antes.
Encontrara-me de tal maneira confiante,
Que sentia-me capaz de me perder no seu rosto,
Nada me era estranho, nem o olhar cintilante
Pela lágrima de dor de um brinco nela posto.
A lágrima pela sua face lentamente descera,
Até em seus lábios secos parar,
A lágrima em seus lábios desaparecera,
Tão brilhantes agora, tanta vontade de os beijar.
O esbelto brinco que lhe tivera posto,
Feito de uma pedra rara e extremamente brilhante,
Tivera sido por mim composto,
Para o único rosto onde brilha pouco um diamante.
O último traço tivera sido feito com a alegria do primeiro,
Pois tudo deve acabar como começara,
Não faz sentido terminar com a vida num desfiladeiro,
Se da alegria antes nunca dispensara.
Por entre tanta alegria de uma pintura acabada,
Um passo a trás de outro era dado,
Para limpar uma lágrima magoada,
Pelas horas de ternura terem findado.
Acariciei seu rosto com meu dedo, limpei a lágrima,
Lentamente chegara meus lábios perto dos seus,
Mas não os tocara, não quisera fazer de quem amo uma vítima,
Por viver para uma ilusão, de voltar um dia a tocar lábios meus.
Afastara-me e beijara sua testa,
Pegara o quadro acabado,
Consciente que não pudera viver na ilusão de voltar a ver esta,
Derramei uma lágrima, e ficara um quadro com um olhar manchado.